Academia 50 anos depois de Maio 68

Há uma escuridão que cega a vida brasileira. Essa escuridão não é para ser vista pelos olhos, mas pelo Mundo Sutil, que os homens carregam entre o coração e a mente. A escuridão de uma alma que não consegue se despertar para a Era do Conhecimento.


A academia carrega nos ombros o peso de uma causa. A de trazer o significado da Era do Conhecimento. Jogar uma centelha de luz a escuridão que nos cerca. Muitos são os inocentes a depositar sua confiança nos valores da academia. Acreditam que ela irá levantar a bandeira dessa nova época. Ajudá-los a fazer a travessia entre Serviços e Revendas à Sociedade do Conhecimento.


A bravura de desbravar a História chama a academia. O Brasileirinho guarda a esperança de seus doutores o estarem conduzindo a um novo tempo. A questão é não sabermos o quanto a academia está preparada para assumir tal responsabilidade. O quanto ainda existem homens com uma psiquê capaz de ir além das prerrogativas do capitalismo.


Neste interregno os da academia se tornaram os Quarks sem Causa. Embora sejam os fundamentos á constituição de uma nação não conseguem ir além da caminhada de seu salário. A sua sabedoria se limita a seguir o percurso do sol capitalista no céu do mês salarial. Levantam-se com a folha de pagamento e deitam-se quando o dinheiro termina. Não enxergam o horizonte da Era do Conhecimento. Não tem sopro de História.


O próximo passo do conhecimento está em estabelecer a relação educação-ciência-inovação-economia. Ir adiante da visão iluminista. Há uma nova dinâmica a ser estabelecida. Não existirá geração de riqueza sem produção de conhecimento. Essa é a nova regra a seguir. A bandeira para a academia levantar.


A academia necessita encontrar o seu destino histórico. De Quarks sem Causa se transformarem em Conhecimentistas. Ir além da universidade humboldiana (saber universitário), napoleônica (saber técnico) e participar da economia do conhecimento. Tornar a razão geradora de riqueza e de oportunidade social.


— Como fazer?


O futuro do pretérito de Maio 68 chama a academia. Após 50 anos ainda não se definiu. Continua paralisada neste intervalo histórico. O muro de Berlim caiu e a História não mudou. A mistura entre iluminismo, marxismo e liberalismo continua em frascos diferentes. O desafio está na academia realizar essa síntese. Fazer uma volta aquele passado para encontrar o sentido de nossa época. Ali acenderam-se luzes aquarianas de um novo tempo. A expectativa de nosso Mundo está em ir além das discussões entre socialismo e capitalismo.


Maio de 1968 foi a revolução que não foi. Na época, o mundo inteiro aparecia nas ruas para simplesmente mudar o mundo. Os líderes eram os intelectuais e os operários. Uma multidão de estudantes aparecia gritando, fazendo coro em pleno Quartier Latin: ‘poder aos trabalhadores’, ‘a mercadoria nós a queimaremos’, ‘sejamos realistas, exijamos o impossível’.


A época não estava amadurecida para promover uma revolução nas bases sociais. Aquele ano mítico de 68 estava mais propício a movimentos do tipo ‘flower power’, ‘paz e amor’, ‘sexo, drogas e rock and roll’. Os desejos de liberação dos costumes, Era de Aquarius, movimentos hippie em elogios ao amor livre, à maconha e LSD confundiam a perspectiva de se elaborar uma nova tese sobre a sociedade.


Uma tentativa de revolução para valer necessita ao menos de levantar uma bandeira significativa ao significado de trabalho. Entretanto, essa vontade de subversão total deparava-se com a falta de unidade entre os propósitos intelectuais e operários. O trabalho laboral do operário e o trabalho na realidade virtual do intelectual ainda não se reconheciam. O andar revolucionário de 1968 não aconteceu devido a os intelectuais não terem conseguido sair de seu iluminismo e os operários de seu marxismo-leninismo-maoísmo.


A revolução estudantil de 1968 acabou sendo o último momento na História ocidental em que foi possível catalizar coletivamente energias utópicas e exigir nada menos do que ‘mudar a vida’. A sua revolução anticapitalista se frustou. Algumas reformas universitárias aconteceram, mas nenhuma nova luz sobre o significado das relações sociais sucedeu. Ficou uma nostalgia, um canto de alma daquele gol não realizado, uma tristeza pelo que poderia ter acontecido, mas não foi.


A História passou. Neste vazio acontecido, o capitalismo cresceu. As novas aspirações foram tragadas pelo mercado, a Era de Aquarius desembarcou nos livros de auto-ajuda e, sem oposição, o capital tomou o leme da sociedade. A revolução frustrada resultou em que na década de 70 iniciou-se o domínio do capitalismo financeiro. A revolução ficou perdida nos gritos e as novas ações humanas voltaram-se ao capital. Com a bandeira do trabalho em baixa, as nossas frágeis vidas humanas iriam depositar crenças para a esperança capitalista. Em sua função carregaríamos as nossas energias de vida.


Maio de 68 não trouxe uma nova visão ao significado de trabalho; a década de 70 trouxe uma nova visão para o capital. Abriu a caixa de pandorra de um princípio antigo de que dinheiro gera dinheiro. A derrota acontecida com o trabalho fez com que aflorasse sem nenhuma vergonha a noção de não-trabalho como o propulsor do desenvolvimento econômico.


A partir de então, a Economia Financeira tomou o seu espaço. A abundância de dinheiro vindo dos petrodólares permitiu o advento de empréstimos e sua casta de juros... Chegou, viu e venceu. Nunca mais o mundo seria o mesmo... A partir de então, a produtividade estaria sempre perdendo para o financeiro e o trabalho submetido ao não-trabalho.


Os economistas não mais conseguiram estimular a economia real. A visão do sociólogo Betinho de que, ‘se a economia não serve para dar comida, educação, teto e saúde para a população, a Economia não serve para nada’ – se tornava irreal A nova intenção não estava mais em circular a riqueza através do trabalho e da produtividade, mas num jogo de papéis financeiros.


A supremacia da Economia Financeira trouxe a não-linearidade do capital. A possibilidade de dinheiro gerar dinheiro, de se enriquecer sem trabalhar. As idéias bíblicas e suor não significam mais nada. Aparecia uma outra forma de se gerar riqueza através de juros.


A capitulação do trabalho diante do não-trabalho foi o principal acontecimento das décadas de 70 e 80. Enriqueceu alguns e endividou a maioria. Juros, juros sobre juros, ‘moedas podres’, a sociedade foi capturada por um conjunto de papéis que acabariam promovendo o não-trabalho. Cada vez mais especular através de Bolsa de Valores foi-se tornando a razão de esperteza. A riqueza não viria mais de nosso trabalho mas de nossa capacidade de especular com o não-trabalho.


Maio de 68 polarizou, mas não entendeu o ocaso do marxismo, liberalismo, Iluminismo. Não protagonizou ascensão do mundo cultural. Há 50 anos atrás não aconteciam apenas barricadas em Paris, como se descobria-se a internet. Juntamente com o fogo viria a se tornar a maior invenção do homem. Ninguém mais vive sem os dois para aquecerem seu corpo e sua mente.


O vazio de nossa época está em que ainda não conseguimos ir além de Maio de 68. Entender que precisamos ir além do marxismo, liberalismo, iluminismo. Essa deve ser a primeira missão dos navegadores do psi. Ir além do espaço psicológico conhecido. Estamos diante de um novo momento a ser vivido. O de unir essas três correntes de pensamento em prol da manifestação do conhecimento.


Neste século 21, estamos diante de uma geopolítica cultural. Muito mais dura do que a globalização financeira será a globalização do conhecimento. Estamos diante de um novo cisma. O de deixar nações de mãos amarradas quanto a produção de conhecimento. Enquadradas a exportadoras de commodities. Deixar seus habitantes na banalidade.


50 anos depois, não bastará se revoltar. A pauperização da maioria, a entrega de riquezas a grupos estrangeiros, o fracasso econômico provocam indignação e revolta. No entanto, é necessário encontrar um sentido para as coisas. Encontrar os novos valores da Era do Conhecimento. Ter na academia a promotora desse novo assunto.


50 anos depois duas faces tomam formas. Nos idos de 68 as expressões de Ciclo da Ignorância e Virtualidade ainda não tinham os moldes atuais. Hoje, o Ciclo da Ignorância torna-se visível. Ganha enredo o distanciamento entre países e pessoas a respeito da produção de conhecimento. Grandes multidões não terminam o ensino médio. Outra manifestação é a presença da virtualidade. Não apenas a vida das pessoas está a se mover com celulares nas mãos. Também, a justiça, a ciência, a economia estão sendo estipuladas a partir de virtualidade.


— Em vez de maconha, vamos cultivar a folha em branco? — o século 21 chama Maio 68


Estamos num novo tempo. Da foice e martelo nos movemos para a caneta e a folha em branco. Enquanto 68 discutia a classe trabalhadora e a luta de classes, neste século 21 cabe a academia levantar o tema do conhecimento. Um assunto que poderia ser discutido em Maio 68 e não foi. Hoje, não é mais possível o adiar. Há um Mundo Sutil além do capital e trabalho a ser desfraldado. Andar sobre ele estará a estrada entre serviços e revendas e sociedade do conhecimento a ser caminhada.


Maio 68 fez a academia voltar-se ao marxismo:


— O século 21 fará a academia assumir a Era do Conhecimento?


Por Melk

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