Aonde está a Academia?


O Brasil é um conjunto de pequenos cérebros pedindo a serem alimentados. Seres no desejo de participar da Era do Conhecimento. Esperando que o vento do destino os leve a conhecer as equações que nos abrem aos átomos e galáxias.


A Era do Conhecimento chega a quem a ela chegar. Propor-se a sua peregrinação. Isto requer uma interioridade a ser aflorada pelo meio em que a pessoa convive. Existem culturas que levam seu homem ao átomo, a Lua, a internet. Outras, que o deixam amarrado, enjaulado, a só ver as coisas acontecerem, como se milagre fossem.


— Qual a proposta da cultura brasileira?


Sempre é complexo analisar os propósitos da cultura de um povo. Muitas são as direções sendo tomadas. Entretanto, deve-se observar que o Brasil vem-se tornando um país de serviços e revendas. O país vem perdendo sua indústria. A grande indústria brasileira é a da embalagem, embalamos remédios, eletrodomésticos, computadores. O país não fabrica nem aspirina nem trilhos. O seu capitalismo não vai além dos produtos da terra. Estamos numa economia em que no lugar da era digital prefere a do desmatamento.


Não é necessário muita reflexão para constatar que o Brasil é um país defasado da Era do Conhecimento. A questão está se existe no país uma força de luta a não permitir essa entrega. Segmentos da sociedade que se insurjam diante do contexto formado. Duas configurações nos permitem analisar o estado da coisa. As posturas do Estado e da Academia.


O retrato do Estado brasileiro pode ser visto pelo corte nos recursos. Em 2021, será de 27% em Ciência e Tecnologia e de 1 bilhão de reais nas universidades federais. Os investimentos na indústria serão inferiores a 2015. O previsto de corte de 64% nas bolsas do CNPq e CAPES estará levando ao desmonte da produção de conhecimento no país. Para Roberto Amaral, ex-ministro de ciência e tecnologia, a proposta orçamentária atesta a volta do Brasil à condição de colônia.


Estamos vivendo uma tragédia esperando uma resposta da Academia. Não mais estamos vivendo os anos 70 das greves operárias. A nova luta companheiro é contra o Ciclo da Ignorância. O do mergulho do país em trevas. A não deixar a nação participar da revolução digital.


— Qual o retrato da Academia?

Em épocas anteriores a academia sempre se pronunciou libertária. A defensora dos novos ideais. Hoje a vemos silenciosa. Uma academia inerte à luta em introduzir o Brasil na Era do Conhecimento. Afastada dessa luta que deveria ser sua. Uma apatia a levar a interrogar sobre o seu significado.


A Academia não pode se esconder igual a Quarks sem Causa. Quarks por serem o fundamento da construção da Era do Conhecimento e sem causa por sua completa apatia. Cabe a ela explicar o significado de Era do Conhecimento à sociedade. Aproveitar a oportunidade desse momento histórico. Não estamos mais nos anos 70 e 80 com um movimento sindical forte. A relação capital-trabalho não mais move o Mundo. Necessitamos de uma Academia capaz de promover a relação trabalho-conhecimento-capital. Tornar o conhecimento outro elemento da História


O tempo é o de teste da Academia. Saber o quanto está disposta a que o país não se transforme numa republiqueta. O conhecimento se tornou o grande ativo de transformação da sociedade. Mas falta-lhe uma Academia capaz de ir além de seu espectro iluminista. Trazer uma nova argumentação conhecimentista.


A Academia necessita participar do debate do plano econômico. A economia não é para ficar nas mãos dos economistas. A economia é política. Pertence a todos os setores da sociedade. Pior do que terraplanismo é isolar a ciência do capital.


Não estamos mais em Maio 68 quando a academia se insurgia contra o sistema junto a classe operária. A Era do Conhecimento leva a academia tecer seus próprios argumentos para participar da realpolitik. Não permitir que a ciência seja isolada do capital. Cabe a Academia mostrar uma luta contra o grande capital. Em vez de deixar a sociedade ser contaminada por papéis sem lastros de derivativos mostrar o significado econômico do lastro do conhecimento.


O capital não é um privilégio dos bancos. A sua dinâmica pertence aos empreendedores. Na academia estão os quarks da sociedade. Aqueles a realizar a riqueza mais fundamental do homem que é a geração de espaço psicológico. A sociedade se move pelo espaço psicológico produzido. Uma relação a necessitar a ligação entre conhecimento e capital.


A expectativa é que a Academia assuma a luta conhecimentista. Seja promotora de uma política de investimento público comandada pelo Estado para a disseminação do conhecimento. Propor um projeto de desenvolvimento do país baseado na produção de conhecimento. Discernir a necessidade de ciência básica associada a inovação.


Muitas são as lutas à frente da academia nessa Era do Conhecimento. A primeira a estabelecer é a relação conhecimento-capital. Não deixar que o capitalismo financeiro se apodere do lucro. Conduzir o fetiche do mercado de retirar dinheiro sem produzir nada. Citamos outras duas. Uma a estabelecer a associação entre educação-ciência-inovação-economia-realigião. Outra lutar por um socialismo científico capaz de chegar aos excluídos do banquete.


Não faltam causas. Falta a Academia assumir essas causas. Fazer a sociedade compreender que 54% das vendas do agronegócio retornam para o exterior (compras de trator, semente etc). Compreender que a privatização das refinarias estará destruindo a indústria química brasileira. Uma Academia a empreender a luta a que o país não jogue fora seus ovos de ouro.


A época traz uma interrogação. A do porquê da ausência da Academia na luta para o Brasil participar da Era do Conhecimento. A sua passividade em aceitar a imposição a Brasil Colônia.


— Até quando?


Por Melk

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