Quatro Formas de Conhecimento

A saga do desconhecido chama o homem. Somos cercados por um mistério. A existência de um Universo colossal e a possibilidade de um outro lado da vida após a morte nos levam a uma procura além de nossas alturas. Nada nos resta do que enfrentar esse interrogação. Ativar uma compreensão.


Uma profundidade nos chama. O arrebatamento ao conhecimento surge como resposta a esse desconhecido que nos cerca. Ao homem fora dado o direito de revelar os acontecimentos. Neste grão do Universo, o planeta Terra, despontou uma espécie com acesso à consciência. Perceber os acontecimentos. A Natureza e os Livros Sagrados se movem com uma causa e só nos resta ir conhecé-la.


A História representa a participação do homem no Mundo. O homem é um bicho que vem da Natureza, mas com o direito de criar um Mundo. Um lugar vindo da manifestação de sua mente. Transformar o Universo em Mundo é o desafio humano. E assim caminha a civilização. A navegar pelo espaço psicológico à procura de Novos Mundos.


A cada geração há o compromisso de construir o Mundo. Não de o polarizar. As consequências dos extremismos são conhecidas. Há, sempre uma esperança ao concerto das coisas. O sentido de estarmos dentro de algo. A evolução necessita mais de esperança do que DNA. Sem propósito mental ninguém sai da cama.


A humanidade está precisando de uma nova construção. Os homens não nascem para preservarem os pensamentos antigos. O interessante é que o novo momento de Mundo está no advento da Era do Conhecimento. Uma nova passagem está ocorrendo. O significado de conhecimento se torna presente. Não faltam pessoas a cultivar a folha em branco.


A época nos desafia a encontrar o valor do conhecimento. A sistematizar que tipos de consciência promove. Classificaríamos em quatro formas. Seriam o místico, iluminista, lucrativo, social. Os quatro pilares de construção de Mundo pelo conhecimento. Cada um a instigar um propósito de saber.


As nascentes da consciência humana são místicas. Deus avisara Adão e Eva a não comerem o fruto da árvore do conhecimento. Prometeu fora proibido de trazer o fogo do saber para terra. Parece que ao homem não fora dado o direito de especular sobre as razões da existência e os mistérios do Universo. Fomos avisados a não sermos ousados. O dito dos deuses estava em que o compreender mais longe só traz perplexidade e confrontamento. Uma dica que só com o tempo entenderíamos...


A segunda forma de conhecimento é a iluminista. A do enaltecimento da razão. O seu proposto é a razão estabelecida pelo método científico. A imaginação estar assegurada pela medição. Essa asserção estabelecida pela revolução científica do século 16 representou um passo adiante à filosofia grega. O interessante é que a razão pura deu origem à relação ciência-tecnologia. A criação de empresas investidoras em conhecimento.


A terceira forma de manifestação do conhecimento é pela economia do conhecimento. Consequente da relação ciência-tecnologia o conhecimento se tornou um gerador de riqueza. Uma nova forma de investimento sucede. A de unir conhecimento com capital. Uma produção capitalista a mostrar uma riqueza capaz de sair da folha em branco. Por exemplo, a indústria digital americana possui um PIB maior do que o Brasil. O do Zoom é maior do que o da Petrobrás.


A quarta forma de conhecimento é a relação social. Tornar o conhecimento um dos elementos da construção da cidadania. Estamos numa época em que o Mundo necessita ser refundado. Uma nova voz de cidadania está a ressurgir. Não faltam primavera de insurreições pelo Mundo. Numa sociedade governada pela injustiça e conduzida por um capitalismo concentrador, o momento é de negação. Propício a uma voz conhecimentista aflorar. Bradar a utopia de conhecimento para todos. Não permitir com que a desigualdade econômica se torne fonte da desigualdade conhecimentista.


Neste palco desponta a Era do Conhecimento trazendo a manifestação dessas quatro formas de conhecimento. A mística a requerer um conhecimento a ligar a terra com o céu, a razão a uma ciência comprobatória, a prosperidade a uma ciência promotora de lucro, a cidadania ao direito de participar da Era do Conhecimento.


— Como unir esses pressupostos?


Nesta dança dos imaginários estamos. Tempos para aprofundarmos nessas quatro formas de conhecimento. Entender suas interligações. O desconhecido nos chama, mas não é trivial estabelecer as relações entre essas manifestações de conhecimento. Não é simples misturar num mesmo prato a Escola dos Mistérios do Egito Antigo com a obsessão capitalista a que os produtos obedeçam às relações de lucro. Ao mesmo tempo deixar com que a razão se torne condutora da razão da desigualdade social.


O século 21 caminha na direção da égide da economia do conhecimento. Enquanto, a física condiciona seus objetos a métrica espaço-tempo, a mística a interpretar o confinamento dos quarks como sinal de uma região oculta dentro da Natureza, o cidadão a esperar o dia em que haverá uma Primavera do Conhecimento em prol do conteúdo nacional, a economia desdenha. Considera que possui caminho próprio. Não se submete as outras relações. Anota o conhecimento como uma relação de investimento-lucro, e basta.


O plano de Deus para com o homem exige que ele construa uma estrada entre a terra e o céu. Muitos acreditam que deve ser feita simplesmente através da fé; os agnósticos consideravam através do conhecimento. Acontece que, seguindo essa peregrinação agnóstica em quatros formas de conhecimento, caímos numa terrível armadilha. Elas não se misturam. O capital e o conhecimento não possuem os mesmos propósitos de consciência. Um possui natureza amoral, outro espiritual.


— Feijoada de Conhecimento?


A pergunta é se o Senhor além de muitas estrelas nos preparou uma estrada de conhecimento. Santo Agostinho já falava que entre todas as tentações do homem, a pior era a doença da curiosidade. À nossa maneira preferimos nos livrar do paraíso ignorância satisfeita e caímos na tentação conhecimentista. Não sabemos o quanto o conhecimento é para servir o nosso erguimento entre a terra e o céu, o quanto é para satisfazer assuntos terrenos. Nesta feijoada-dúvida chega a Era do Conhecimento. Entre o progresso e a alma. Um discernimento difícil.


A Era do Conhecimento irá abrir ao homem a luz e o pecado do conhecimento. Neste desenvolvimento das quatro formas de conhecimento a energia sutil que circula no corpo do homem encontrará sua contradição. Confrontará seu propósito em servir ao corpo ou a espírito do homem. Talvez, agora, entendamos o porquê do conhecimento ser a maçã proibida. Neste século 21, a Serpente proporá dois caminhos para Eva: o progresso capitalista ou a ascensão da consciência.


— Experimente a feijoada! – diz a Serpente


Há um pecado capital alojado. Só que desta vez, não será o Diabo, mas as legiões capitalistas e seus banqueiros, que irão afrontar a alma do homem através dos caminhos da consciência. Uma falange a enfeitiçar o conhecimento, até se tornar uma mercadoria.


— A academia está preparada aos feitiços do conhecimento?


Neste ambiente de tentação gastronômica-tecnológica deverá surgir a figura do conhecimentista. O interlocutor dos antagonismos e disputas entre essas quatro formas de geração de conhecimento. Não deixar o conhecimento cair em arroubos místicos, metafísicas iluministas, entorpecimentos capitalistas, desenganos populistas.


— Qual deles é o fruto proibido pela árvore da vida? – pergunta o conhecimentista


Neste embate civilizatório, ao conhecimentista cabe ser o protagonista dos caminhos do conhecimento. Diferentemente: do operário, a sua luta não é somente social; dos acadêmicos, ir além da escolástica; dos desenvolvimentistas, não se limitar ao progresso; dos socialistas, outro confronto com o capital. O conhecimentista traz um retorno. Estamos diante de um novo personagem de uma antiga História. A sua missão está em definir um rumo da consciência. Não deixar que o conhecimento caia no pecado da mercadoria. Entenda seu destino escatológico.


— O conhecimentista irá morder a maçã do paraíso capitalista?


Por Melk

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