Conhecimentistas nas ruas

A História precisa das ruas como a vida da reprodução. As ruas são como as rosas. Exalam no tempo certo. Esperam a conjuntura ficar prenha para brotar seu perfume.


As ruas brasileiras começam novamente a emitir um clamor. O Brasil é um vasto país sem entender a si mesmo. Um país tremebundo. Vive sendo excitado por ocasiões políticas e relativismos ideológicos que não conseguem o dirigir aos seus principais problemas: desigualdade e atraso. O país está à espera de um tambor.


A democracia dita que uma nação deve rimar com as ruas. Deixar que o rio da História desça das montanhas de seus princípios e encontre no cotidiano a sua realização. Neste encontro a juventude está saindo às ruas. Embora não faltem motivos de crítica ao sistema vigente, tais como privatizações e reforma da previdência, o que está levando as pessoas às ruas são os cortes na educação.


Enquanto Deus quer colocar uma alma no corpo, a História comida no prato. O povo não vai às ruas por questões filosóficas. Embora o grande desafio ao Brasil seja a transição de produtor de commodities à participação na Era do Conhecimento, o que faz as pessoas irem as ruas é defender o feijão.


Feijão na panela é o que move a História. O corte de verbas tira literalmente a comida do prato. O contingenciamento da educação leva milhões de alunos, professores, funcionários a protestar em diversas partes do país. Cada qual está a defender seu direito de subsistir. Contudo, há um significado que vai além do feijão.


Cresce o sentimento de um país à deriva. De que suas reformas da previdência, privatizações, política externa não irão resolver o problema brasileiro. O país começa a se sentir sem um contexto maior. A questão é como dar um salto desse vazio. As ruas devem ser propositivas. Almejar revoluções...!


Nas ruas devemos ter nossa aula de História. A compreender os caminhos a serem tomados dentro de nossa época. Hoje uma nação necessita avaliar o significado de investir em ciência. O quanto se bota o quanto se tira. Nesta performance, graças a Embrapa, somos o maior produtor de soja do Mundo; aos engenheiros da Petrobrás, produtores de pré-sal.


Acontece que o Brasil é um país de exploração. Essa tem sido sua História desde seu descobrimento. Ainda não compreende o significado de investir em ciência. Enquanto países como Coréia do Sul investem 4% do PIB, Alemanhã 3%, Japão 2,8%, EUA 2,8%, China 2,2%: o Brasil somente 1%. Não somos um país a enfrentar o risco de investir em CT (ciência e tecnologia). E o pior, hoje investimos em CT cerca de 1/3 do que investíamos há 10 anos atrás.


As ruas brasileiras ainda estão longe de identificar a essência da Era do Conhecimento. Do novo homem que está chegando. Entretanto, a sua crença na educação e na pesquisa é o bom começo. Tanto Deus, como a Natureza e a História trabalham com sementes. Talvez, a semente conhecimentista esteja começando a ser plantada em solo brasileiro.


Do feijão o momento passa à luta conhecimentista. A reinvidicar com que o conhecimento seja equiparado ao capital e trabalho. Serem os três elementos a construírem as relações sociais. A compreender que o que faz uma nação não é simplesmente sua riqueza natural. Ao seu povo cabe gerar espaço psicológico.


O Brasil não quer ser um país nativo. Simplesmente produtor de commodities. Ninguém passa pela vida sem experimentar o Caminho da Mente. Cada ser humano sente que existe um espaço psicológico a ser enfrentado. É esse desejo, que em últimas instâncias, leva um povo às ruas. A vontade de exprimir pelo lado virtual dos acontecimentos. Participar da magia do virtual retirar o real.


Ninguém deve ir às ruas sem levantar uma bandeira. As pessoas estão se manifestando em prol de verbas para educação. Motivos pequenos, como tarifas de ônibus, acabam explodindo questões conjunturais. A História atual requer uma reflexão maior sobre a participação do conhecimento como gerador de tecnologia e riqueza. De que não existirá bem-estar em escala sem investir em ciência e tecnologia.


As ruas são feitas para autenticarem causas históricas. Neste século 21 necessitamos eclodir uma percepção coletiva a respeito da integração entre educação-ciência-inovação-capital. Estamos atrasados a esse acordar. Há muito tempo o ‘marxismo cultural’ da dialética capital-trabalho foi ultrapassado. O novo momento a ser enfrentado é o da dialética do conhecimento. O de um progresso baseado na relação conhecimento-capital.


A época é desafiante. Talvez tempos vindouros venham a falar que neste dia de 15 de maio de 2018 nasceu no Brasil a figura do Conhecimentista. O novo protagonista da História do terceiro milênio. O Brasil necessita de conhecimentistas que o ajudem a entrar na Era do Conhecimento.


Por MELK

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