Entre Ricardo Galvão e Newton

Necessitamos iluminar a noite brasileira. O país vive sua Idade Média da Era do Conhecimento. Ainda não consegue valorizar o significado de conhecimento. O último acontecimento foi a exoneração do diretor do INPE, o físico Ricardo Galvão, por contrariar o governo a respeito do desmatamento da Amazônia.


Após o INPE revelar que o desmatamento da Floresta Amazônica atingiu 920 quilômetros quadrados em junho, alta de 88% em relação ao mesmo mês do ano anterior, o governo acusou o diretor do órgão estar a serviço de alguma ONG e divulgar dados falaciosos.


Ao cair uma maçã em sua cabeça Newton abriu seus olhos. Notar que a força que faz a maçã cair na Terra é a mesma que atrai a Terra e a Lua. Entender a universalização da atração gravitacional entre os corpos. A exoneração não deve ser vista isoladamente. As reinvidicações climáticas pertence ao quadro de outras da Era do Conhecimento. Falta a maçã cair na cabeça certa.


Estamos na Era do Conhecimento e há uma preocupação em todo Mundo a respeito do movimento anticiência. Em recente pesquisa da Data Folha cerca de 7% dos brasileiros acreditam que a Terra é Plana. É inacreditável que em pleno século 21 floresçam cidadãos utilizando celular e a não acreditar que o homem esteve na Lua.


Assim a História sempre caminhou. Dentre uma dialética de opostos e complementos. Não é fácil se inserir numa nova era. Dom Quixote e Rocinante exemplificam esse comportamento. Hoje não faltam quixotismos tipo anticiência, mas também, a inércia da comunidade científica. Dois lados que não querem mudar diante dos novos paradigmas da Era do Conhecimento. Um não admitir a razão, outro o iluminismo não se associar ao capital.


Estamos diante de uma visão fragmentada da Era do Conhecimento. A ciência e a sociologia ainda são áreas de conhecimento separadas entre si. Não se comprometem. Isto faz com que educadores, engenheiros, cientistas, trabalhadores fiquem a apresentar uma malha desconexa de reinvindicações. Não enxerguem o todo que os envolve. Sem a devida leitura da época as reinvidicações só geram calor.


Falta um Newton a unir ciência e sociologia. Mostrar que o corte de verbas na educação, desindustrialização, desmatamento são um assunto só. Essa incapacidade não está apenas no governo como na sua comunidade intelectual. Vivemos de opiniões aqui e acolá. Precisamos enfrentar o nosso tempo. Ir além de ficar somente escrevendo cartas de repúdio a exoneração de Ricardo Galvão.


O novo momento histórico é o da Era do Conhecimento. Uma nova clarividência política se torna necessária. A de colocar o conhecimento junto ao trabalho e capital como os três elementos formadores de História. Essa percepção falta a nível mundial e muito mais a nível nacional. Somos órfãos de teses conhecimentistas. As naturais reinvidicações por emprego ainda são baseadas na dialética capital-trabalho.


Newton renasce na China. Ao contrário do pensamento fragmentado brasileiro a China entende que a nova universalidade a ser entendida é a defesa do conteúdo nacional. Na sua guerra comercial com os EUA desvaloriza sua moeda. Compreeende que não estamos mais na época de Mao Tsé-Tung e sua relação capital – trabalho. O novo momento é o da dialética do conhecimento. O de ser capaz de gerar um produto, vender, investir e o reinventar no upgrade.


A História mudou. Os nossos acontecimentos estão a nascer da folha em branco. Os símbolos que colocamos sobre uma tela é que movimentam o Mundo. Nenhuma História sucede sem palavras, equações e experimentos. Nenhum foguete se levanta nenhum desenvolvimento acontece sem passar pela folha em branco. Entretanto, continuamos a olhar os eventos fragmentadamente. O nosso Brasil de mente apequenada não tem a grandeza de um Newton ou de uma China. Não conseguimos valorar a integração educação-ciência-inovação-economia e sair em defesa do conteúdo nacional.


O Brasil vai às ruas, grita e as paredes não ouvem. Não é simples derrubar os muros da História de sua época. A História não ouve ao velho. As suas portas só se abrem a novos temas. A uma nação não basta defender seu território como seu conteúdo. Esse é o desafio a ser enfrentado por nossas universidades e empresas como a Petrobrás.


Existe uma universalidade conhecimentista a ser entendida. Assim como em física uma lei só será válida se apresentar um valor universal, as reinvidicações de Galvão e das passeatas, só se tornarão modificadoras se encontrarem um valor universal. Somente juntas é que derrubarão os muros a retirar o Brasil de sua Idade Média da Era do Conhecimento.


O Brasil está diante de um quadro político que não consegue lidar nem com o trabalho nem com o conhecimento. Não os qualifica como os impulsionadores da sociedade. O resultado é que vivemos de discussões fragmentadas. Não conseguimos compreender que na defesa do conteúdo nacional está a luta pela dignidade do trabalho e conhecimento de um povo.


O diretor Ricardo Galvão apareceu ao grande público pela questão do desmatamento da Amazônia. A Era do Conhecimento exige que se vá além. O seu desafio à comunidade científica está em integrar educação-ciência-inovação-economia. Esse ser o tópico a ser enfrentado à renascença brasileira. O de elevar o conhecimento a protagonista da História.


Uma caminhada conhecimentista nos chama. Entre Ricardo Galvão e Newton está o caminho entre o particular e o geral. Estamos numa efervescente Era do Conhecimento e não podemos tratar cada desavença isoladamente. Existe uma conjuntura. Um efeito geral o qual obriga uma nação a se colocar diante dessa Nova História.


Por MELK

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