Escuridão Brasileira

O Brasil foi protagonizado como o país do futuro. O da primeira civilização ocidental dos trópicos. O local a receber o advento da próxima 6ª raça humana. No entanto, a esperança da criação de um novo país no cenário mundial, escoa-se pela desilusão.


O Brasil vive uma escuridão. Um breu de História. Não enxerga nada. Vide suas redes sociais. Multidões de opiniões com nada a dizer. Todos no ledo engano de que aparecer na mídia nos leva a tocar na História. A bater na pior escuridão que é a do desengano.


Três anti-luzes pairam sobre o território brasileiro. A primeira escuridão é a da desigualdade social. A segunda a arrogância do judiciário ultrapassado. A terceira a de um mercado a não exigir o nosso desenvolvimento científico.


— Há luz do final do túnel?


O velho Brasil das elites e de um povo desenganado é chamado a votar. As eleições se aproximam e nessa escuridão brasileira ninguém consegue levantar uma voz diante da História. Prevalecem as questões menores. A velha ladainha da corrupção e da preguiça como os males que assolam nosso povo.


Estamos na época do poder da estupidez e daqueles que se aproveitam do estúpido. Existem eleições, mas não existem debates. Numa disputa de poder passamos as eleições sem discutir as verdadeiras causas de nossa escuridão. As opiniões sobre o desenvolvimento do país, a distribuição de riqueza, a entrada na Era do Conhecimento correm ao lado. Como se nenhum compromisso tivéssemos com a História. Igual aquele aluno que vai a escola despreocupado em passar no final do ano.


— Que país zen é o Brasil? Por quanto tempo o seu povo ficará alheio a construção da História?


As eleições não mais conseguem trazer discussões estruturais. Não se discute a precarização do trabalho, o sistema financeiro, a produção de conhecimento. Historicamente, não sabemos se estamos discutindo as premissas do século 19 ou 20. Certamente não estamos o século 21. Apesar do calendário não nos deixar esquecer o tempo em que vivemos, as palavras continuam antigas.


A escuridão brasileira está levando o povo e as elites a se afastarem da realidade. Não mais utilizarem as eleições para fazerem sua própria História. Estamos, sob um intenso nevoeiro de ideias externas a retirar o projeto de desenvolvimento nacional.


Vivemos um momento de profunda crise no Brasil. Na visão de Gramsci, ele diz que nós temos uma crise quando o modelo velho já não serve, mas o novo não está pronto para substituir o modelo velho. Acontece que estamos em um Brasil velho e ultrapassado. Baseado no extrativismo e rentismo, o país revoga o desenvolvimento de ciência – tecnologia. Falta um projeto conhecimentista ao país. Uma proposta capaz de levar o país a entrar na Era do Conhecimento.


Pesquisa americana realizada pelo Pew Research Center mostra que quando se trata de ciência, o Brasil é uma espécie de exceção mundial. Os brasileiros são os que menos acreditam nos cientistas — 36% disseram confiar pouco ou nada neles. Apenas 23% acreditam muito nas atividades dos cientistas. Como consequência, os brasileiros são céticos em relação ao potencial científico do próprio país.


Ninguém consegue levantar uma voz diante da Era do Conhecimento. Em 2021, o Ministério da Educação já informou que vai cortar parte das verbas discricionárias de institutos federais e universidades. No ensino superior, 1 bilhão de reais. Os cortes mostram como a sociedade brasileira pensa no que diz respeito da integração entre educação-ciência-inovação-economia.


A grande ilusão está em achar que devido as pessoas serem donas de celulares e automóveis que o país está inserido nas coordenadas da Era do Conhecimento. Ao contrário, estamos caminhando para trás. Comparativamente nos anos de 1980, nossa indústria em relação a China e Coreia do Sul, regrediu. Hoje, a diferença é qualitativa. A nossa ciência-tecnologia se tornou amarrada a serviços e revendas.


— Como se libertar desses grilhões?


Democracia e eleições não mais resolvem. O seu blá-blá-blá é para coisas menores. A estrutura do desenvolvimento brasileiro não mais passa por sua política. As pessoas para se elegerem precisam dizer outras coisas. Nada que seja provocadora a geopolítica internacional ou defensora dos direitos do Brasileirinho ou da já desvalorizada ciência nacional.


As eleições não mexem na conjuntura. A nossa causa política se resume a corriqueira luta pelo poder. Não passa por suas mentes as consequências, por exemplo, da velocidade de implantação e adoção do 5G. O 5G é a infraestrutura mais importante das próximas décadas. Segundo o Fórum Econômico Mundial até 2035 o benefício econômico esperado do 5G será de US$ 13,6 trilhões a nível mundial. Mas, esqueça que isso será discutido nas próximas eleições.


O fato a registrar é que não há expectativa que da parte dos políticos e do povo que as eleições sejam capazes de trazer o significado de conhecimento na História 21. Discutir que, a geração de riqueza de uma nação vai além da relação capital-trabalho. Considerar que, neste século 21, o conhecimento se torna o novo elemento produtor de riqueza. Tomar a referência de que, a indústria digital americana é maior do que o PIB do Brasil.


As forças desenvolvimentistas estão amarradas. Não conseguem se colocar diante do momento histórico. O espaço político atual é preenchido por temas das minorias, desmatamentos, reformas. Nada de discutir as raízes da História. Vive-se como se o vento fosse o dono do Mundo.


O Brasileirinho mal - informado é a escuridão brasileira. Um estudo recente pondera que as informações de dados são uma riqueza maior do que o petróleo e ouro. Contudo, apenas cinco famílias no Brasil são donas de todos os grandes meios de mídia de massa.


– Quando o Brasileirinho vai discutir o capitalismo financeiro que governa o país?


— Não na próxima eleição!


Eleições são inócuas sem temas a debater a construção da nação. O fato é que, a academia e a indústria não conseguem projetar uma opinião pública em defesa da produção de conhecimento no país. Enquanto, as elites intelectuais brasileiras continuarem atrasadas, nada irá mudar. Permaneceremos em tempos sombrios de um pesadelo que nunca acaba. O de uma geração mergulhada na escuridão.

Por Melk

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