• Por Brasileirinho

Pesquisador titular do CBPF relembra a vida e obra de ex-professor

José Abdalla Helayël-Neto, pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), a convite do Núcleo de Comunicação Social, relembra passagens da vida e obra do físico teórico Antonio Luciano Leite Videira, ex-pesquisador e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1969 a 1987) e da Universidade de Évora (Portugal), de 1988 a 2005 ‒ nesta última, catedrático na área de física e história da ciência.


Fez seus estudos de doutorado na Universidade de Princeton (1962 a 1964) e Universidade Carnegie Mellon (1965-1967), ambas nos EUA. Trabalhou no CBPF de 1956 a 1962 e no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, no biênio 1967-68, onde defendeu seu doutorado, sob orientação de Jayme Tiomno (1920-2011), um dos fundadores do CBPF.


Dedicou-se às áreas de partículas elementares, relatividade geral, cosmologia e física atômica e, no final da carreira, à história e à filosofia da física. Nasceu em Lisboa, em 12 de junho de 1935, chegando ao Brasil em 9 de julho de 1942. Graduou-se pela Faculdade Nacional de Filosofia, da então Universidade do Brasil (hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro), entre 1955 e 1958. Faleceu em 15 de outubro último.



Os traços indeléveis de um mestre


O tempo não é capaz de cancelar as memórias, os ensinamentos e mesmo as repreensões (sempre de caráter construtivo) daquele verdadeiro mestre que nos vocacionou e ajudou a encontrar um caminho ainda misterioso em nossa mais tenra juventude. Este era – e sempre estará vivo para seus ex-pupilos – o professor Antonio Luciano Leite Videira. Muito recentemente, ele buscou novas dimensões de um universo pleno das simetrias que ele tanto cultuava.


O professor Videira era aquele ‘scholar’ de uma escola de física em seu sentido mais completo. Além dos ensinamentos das teorias que nos trazia, nos enriquecia com a base filosófica de cada uma delas, o contexto histórico e o cenário artístico da época em que foram propostas. Após cada aula com o professor Videira, os desafios eram múltiplos: compreenderem-se os aspectos técnicos dos conteúdos de física era o primeiro deles; mas, em paralelo, vinham as questões subjetivas, filosóficas e interdisciplinares, que nos levavam a empreender enriquecedoras viagens intelectuais.

Videira (encostado à lousa) e colegas do CBPF, por volta de 1960

(Crédito: Arquivo pessoal)


Inesquecível também sua capacidade de querer compreender os estudantes que seguiam seus cursos. Eram conhecidos ‒ mas confidenciais ‒ seus cadernos de anotações sobre os aspectos comportamentais e de rendimento acadêmico daqueles jovens que ele percebia apresentarem problemas. E nós mesmos, em momentos de crise e perplexidades na transição para o mundo adulto, víamos nele aquele professor-psicólogo ‒ e, às vezes, confessor. O professor Videira ouvia, refletia junto e nos dava elementos para que buscássemos um caminho.


Sua presença no Departamento de Física da PUC-Rio foi decisiva para que ‒ em parceria com os professores Nicim Zagury, Jorge André Swieca (1936-1980) e Erasmo Ferreira ‒ fosse consolidado o Grupo de Física Teórica das Partículas Elementares, responsável por atrair e formar dezenas de pós-graduandos ‒ hoje, docentes-pesquisadores atuando em universidades e centros de pesquisa do Brasil.

Da esq. para a dir., Videira, Jayme Tiomno e Nicim Zagury, em 1961

(Crédito: Arquivo pessoal)



Era notável ‒ e serve hoje de exemplo para todos que passamos por aquele Departamento de Física ‒ o cuidado e rigor de todos esses professores no processo de formação dos estudantes de graduação e dos pós-graduandos.

Videira, com os cinco netos, no Rio de Janeiro (RJ), em 2013

(Crédito: Arquivo pessoal)



Em vez de lamentarmos a inexorável passagem de todos nós que aqui estamos, vale celebrarmos a oportunidade que a vida acadêmica nos ofereceu de conhecer tal mestre e cobrarmos de nós mesmos postura condizente com os ensinamentos de filosofia natural e vida que o amado mestre Videira conosco compartilhou.


Professor Luciano ‒ como o chamávamos na PUC-Rio ‒, esteja certo de que sabemos onde o mestre se encontra: dentro de todos aqueles que passaram por seus cursos e sua orientação.



José Abdalla Helayël-Neto

Pesquisador titular

CBPF

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