Primavera Americana

Estamos diante da Primavera Americana. Multidões protestam nos Estados Unidos contra o racismo e a violência policial provocada pela morte do segurança desempregado George Floyd por um policial branco em 25 de maio.


O hastag ‘ Black Lives Matter’ tomou conta das ruas. Uma demanda por justiça e contra a impunidade. Em julho de 2013, a ativista Alicia Garza postou no Facebook: ‘Pessoas negras. Eu as amo. Vossas vidas importam’. Suas amigas Patrisse Culllorse e Opal Tometi responderam - Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). Desde então, o movimento vem fazendo profunda critica a respeito das condições de educação, saúde, moradia da população negra.


O grito Black Lives Matter toma conta e pretende redefinir nossos tempos. O seu ativismo é centrado no racismo, a incluir negros, mulheres, homosexuais e outros. Junto com a pandemia trazem á tona as desigualdades históricas da sociedade. Um acerto de contas com o passado.


O século 21 enfilera diversos movimentos em busca de que ‘nossas vozes sejam ouvidas’ A Primavera Arábe em 2011, o Occupy Wall Street, o Brasil em 2013 foram as ruas em suas marchas por sonhos. Movimentos a trazer de volta a esperança de um Mundo melhor. No entanto, não conseguiram se sustentar. Desapareceram diante da complexidade do Mundo.


— Por quê?


— Não foram importantes...?


A História não se basta a gritos e sussurros. Necessita de causas políticas capazes de conduzir seus acontecimentos. Essa é a interrogação à nossa época. A questão está em como encontrar essas causas políticas capazes de promover um novo momento de civilização. Para isto, precisamos entender as causalidades da História.


Estamos num Mundo em que as coisas do alto devem encontrar as do baixo. Não adianta sonhar justiça se não soubermos discutir o capitalismo. No chão terreno está a formação da riqueza. De seu cultivo é que crescem as árvores que vão para o céu. Inversamente das religiões é do baixo que criamos o alto. Do capital, erguemos nossos edifícios.


As primaveras passam quando seus sonhos não conseguem discutir o chão da economia. As formas de manifestação do capitalismo. Grita-se e chora-se, mas não se desenvolve um pensamento crítico a respeito do desenvolvimento econômico. Esse é o dilema realigioso (ligação da terra para o céu) a ser enfrentado. Talvez ajude a questão:


— Por que as primaveras passam e o marxismo permanece?


Desde 1848, Marx fixou um ponto para discutir a sociedade. O de que seus caminhos seriam estabelecidos pela relação capital-trabalho. Na sua essência Marx ofereceu uma crítica a voracidade do capital através da luta pela valorização do trabalho. Essa percepção protagonizou o movimento das pessoas nos últimos 150 anos. Deu o que falar, mas foi perdendo seu gás.


Maio de 1968 foi o momento mais emblemático dos acontecimentos da História recente. A conjunção a se ir além dos princípios marxistas. Uma época a reunir trabalhadores, estudantes, intelectuais contra o status quo. Não faltavam ingredientes como as mortes de Che Guevara em 1967 e de Martin Lutter King em 1968. Toda uma nitroglicerina para explodir o establishment. Pediram o impossível. O resultado foi o ano que não foi. Faltou chão.


O sistema permaneceu. Ficamos devendo a História. No mínimo o de ir além de Marx. Cabe aos homens construírem a ponte terra-céu de seu tempo capaz de entender seus desencontros. A Humanidade nunca deixará de sonhar. Está na condição humana. Contudo, os sonhos devem subir ao céu, voltar à terra, e estabelecer o terreno capitalista. Os homens são animais a colocar seus pés em coisas concretas.


Os delírios e inocências de Maio 68 deixaram um vazio. O qual foi preenchido na década de 1970 pelo crescimento da economia financeira. Nixon abandonou a referência ouro e o valor do dinheiro voltou-se a quem tiver a autoridade de emitir. Da relação capital-trabalho passamos a capital-capital. O capital ser a fonte de si mesmo.


A formação de riqueza caía nas mãos do sistema financeiro. O sistema bancário-financeiro ganhava o monopólio da máquina de dinheiro. A permissão de criar dinheiro do nada. A ele era dado o poder de definir riqueza. O direito de imprimir valor a partir de uma folha de papel em branco. O valor não mais sairia do suor dos rostos.


O Federal Research Bank (FED) se tornava o Olimpo da era moderna. O lugar onde se reúnem os deuses do dinheiro. O panteão a decidir a formação da riqueza. Esse grupo privado de banqueiros ganhava o monopólio da definição de valor econômico. Estabelecer a respeito da massa monetária circulante, juros, créditos. Condicionar o crescimento econômico a partir do sistema financeiro.


Ao povo é deixado a democracia. Atingido o monopólio legal do dinheiro, o sistema financeiro deixa ao povo as outras discussões. Polemizar sobre esquerda – direita, minorias, futebol. Tudo ser democrático, menos o sacrosanto direito de criar dinheiro. Essa é a essência de nossa sociedade: a do governo da economia financeira. Fazer dessa ficção a realidade primordial.


A magia do governo é a do nada emitir dinheiro. Entretanto, o seu compromisso de poder está em distribuir esse dinheiro ao sistema bancário financeiro. A geração de empregos é secundária. É como se a História tivesse voltada atrás. Em vez de glebas de terras, como as Capitanias Hereditárias, a distribuição ser de papel-moeda entre os fundos bancários. Estabelecer o feudalismo econômico. Sufocar a relação capital-trabalho pela capital-capital.


Então, neste contexto de sistema financeiro e pandemia, analizemos o que fez o governo brasileiro. Em março 2020, emite 1,2 trilhão de reais e são colocados nos bancos com a missão de o distribuir na sociedade. Oferecer crédito as empresas e consumo ao povo. O que resultou? Uma cromagem de distribuição. Ao final, as empresas não receberam o devido e os bancos ganharam dinheiro através dos juros. A mostrar que ao sistema financeiro, o trabalho e o emprego devem vir depois dos juros.


— Qual o grito das primaveras sobre a hegemonia financeira?


As primaveras não podem ser eternas inocentes. A História pune. Necessitamos dar um salto. Uma nova razão capaz de enfrentar esse Mundo escravizado pelo sistema financeiro. Adicionar bandeira à relação capital-trabalho. As primaveras necessitam reinvidicar além de raças e gêneros e, desabrochar um novo perfume ao capitalismo. . Incluir um novo elemento à História capaz de elevar nossos sonhos e modificar nossas relações com a terra.


O Mundo exige uma nova política a estabelecer um novo chão capitalista. Por sua vez História exige o reconhecimento da chegada da Era do Conhecimento. Contudo, a Era do Conhecimento ainda não encontrou sua liderança. Na sua falta permeiam as reinvidicações das minorias. As primaveras necessitam encontrar sua voz na História. Diga-se, por liderança não significa uma pessoa, mas um atender de consciência. Um livro, uma ideologia, um personagem social. Uma fonte a mexer os corações e mentes.


Civilizações se erguem sobre culturas. Assim foi no Egito Antigo, e sempre. Não se funda uma sociedade no sistema financeiro, mas na sua predestinação cultural. Na sua capacidade de gerar espaço psicológico. Nesta reinvidicação deveria estar o fundamento de uma passeata do século 21. Entretanto, ainda falta a nossa época elevar a sua percepção. Ter uma voz ao microfone capaz de reverberar a História.


Acreditamos então, estar no personagem Conhecimentista a nova liderança à Era do Conhecimento. O esperado a retirar o Mundo de sua viseira. O reinvidicador da presença de espaço psicológico (e não econômico) como o fundador do Mundo. A pergunta é até quando precisaremos de primaveras e pandemias para despertar esse novo ator histórico Nascer o protagonista à integração trabalho-conhecimento-capital.


Ao Conhecimentista cabe mostrar como caminhar no chão da História 21. Promover uma nova performance do capital. Retirar o Mundo das relações capital-trabalho, capital-capital. Abrir um outro terreno. Fazer os acontecimentos se apoiarem no chão trabalho-conhecimento-capital. Mostrar que neste solo é que caminham os acontecimentos da Era do Conhecimento.


O momento está em trazer o conhecimento como o novo elemento da História. As sociedades precisam mudar e as primaveras acontecerem. Enquanto, o governo francês depositou 7 bilhões de dólares para a Air France manter seu conhecimento no ar, o brasileiro doou 1,2 bilhão ao sistema financeiro continuar suas Capitanias Hereditárias.


Há uma História faltando acontecer. O que Maio de 68 e as primaveras ainda não perceberam...


Por Melk

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