Virtualidade na Economia

A civilização se aproxima da moeda digital. Cada dia o valor e a riqueza estão mais próximos ao significado de virtualidade. Estamos num Mundo cuja prosperidade está associada a virtualização da economia. Necessitamos compreender seu lado financeiro.


A Economia é a área de conhecimento a estudar a construção da riqueza. Para a Física, o espectro do Universo varia entre partículas elementares e galáxias; o da Economia se estabelece entre produto e lucro. Contudo, enquanto o Universo se apresenta em matéria visível e matéria invisível, a Economia em lados real e virtual. A questão volta-se em como fazer o lucro o condutor dessa viagem entre o virtual e o real.


Estamos chegando a época da virtualidade, em que após palavras e equações, nos deparamos com o dinheiro virtual. A folha de papel em branco mostrará sua derradeira face que é a da riqueza representada pelo dinheiro. Uma nova noção de valor entrará em jogo.


— O que o dinheiro digital representará para a construção da civilização?


A Economia é uma disciplina voltada ao lucro. Quem não gosta de lucro? — ela pergunta. No entanto o lucro é a luz e a escuridão da economia. Em seu espectro acontece não apenas a formação da riqueza entre o virtual e o real como a diáspora entre o trabalho e o não-trabalho. O resultado dessa mistura é a constituição nem sempre feliz das economias da produção e financeira.


Não faltam discussões a respeito dos caminhos da Economia. Mas no lugar de esquerda e direita, monetaristas e desenvolvimentistas, nos fixaremos na questão da produção e financeira. Esse seria o tema a ser aprofundado. Ir as suas raízes. Encontrar uma percepção que vá além das palavras de ordem do tipo de número de horas de trabalho; ou de juros, juros sobre juros e moedas podres.


As meditações começam pela assunção da virtualidade: a de que não devemos ter tanta fé na vida natural. O natural é, muitas vezes, só um cenário. Existe algo que, antecedentemente, o esboça. O século 21 está descobrindo o que Darwin não viu: a virtualidade. Estamos na época em que nossos braços e pernas estão a seguir o Caminho da Mente.


A história do homem com o Universo não é para ir conhecer seus bilhões de estrelas, mas a sua propriedade de subjetivação. Sendo assim, a exploração da virtualidade se torna mais importante do que a da Natureza. É porque nela se situa a natureza humana. Enquanto, o homem e a Natureza estão próximos e distantes, o homem e a virtualidade são íntimos. A Natureza não configura o homem para viagens espaciais (diferentes gravidade etc), enquanto a virtualidade abre-lhe todo um palco para saber quem é.


O ser humano precisa fantasiar e acreditar na fantasia. Necessitamos das virtudes da fantasia. Não apenas de suas fadas e Papai Noel, mas também de virtualidades. A nossa energia de subjetivação é muito grande e não podemos viver sob o pragmatismo das leis que nos cercam. Por que o Senhor dos Anéis foi o maior fenômeno literário do século 20? Os homens necessitam do mundo mágico. Os mitos são as idéias-forças que estão por trás das civilizações.


A vida humana está cada vez mais saindo do virtual. Do cinema, das canções, das equações, das bolsas de valores. Estamos aprendendo a ver o Mundo, o Universo e a vida a partir de nossa imaginação. O natural ficou para trás. O que importa é a criação.


— Liberdade virtual !?...


Ao Conhecimentista cabe investigar esse aspecto moderno de que a economia não vive sem o virtual. Assim como a literatura necessita de retratar a realidade e a ficção, a Economia necessita desenvolver seus lados real e financeiro. Os escritores querem conceder tudo àquilo que é possível no seu gênero, coisas reais e ficcionais; o mesmo os economistas. São reflexos da natureza humana. Ela está sempre à procura do triunfo da arte sobre a vida, da ficção sobre a realidade. Assim seria muita inocência não a considerar na área econômica. As bolhas do planeta das finanças fazem parte da imaginação humana. É conseqüência deste ímpeto por trocas virtuais.


Neste cenário o surgimento de uma economia virtual baseada no sistema financeiro não seria uma coisa antinatural. Apesar de estar afastada dos princípios básicos da Natureza está dentro de quadros de subjetivação que constroem a natureza humana. A Economia seria uma área de conhecimento que não se bastaria pelo real como pelo virtual.


— O lucro ser uma atividade virtual?


A questão está em que, a economia não é uma ciência, não tem compromissos com o real. Não se deve estipular a economia como uma engrenagem a enaltecer o espírito humano ou associada aos princípios da Natureza. A sua categoria é a de ser uma disciplina voltada ao lucro. O seu mercado financeiro (virtualidade) é qualificado e exaltado por sua exuberância irracional. A crise de suas bolsas revela a sua falta de compromisso com o valor do trabalho (real).


A disruptura entre o virtual e o real na economia é a questão a ser enfrentada. Embora o capitalismo não se proponha a justiça social nem a ética o seu aspecto desenvolvimentista não pode corromper o significado de virtualidade. Caso contrário, irá romper o processo de Caminho da Mente que faz o ser humano construir sua civilização.


— Um perigo ronda a virtualidade da Economia...


A virtualidade é a essência em que o homem se criou. O que move uma pedra de seu canto é o sonho que depositamos nela. A literatura, sabe que a realidade lhe é pequena. Assim, os escritores sempre se especializaram em personagens fictícios. O que é a literatura senão páginas virtuais querendo dar uma realidade a vida humana? Qualquer escritor já na sua primeira página é atropelado para viajar por virtualidades. Deste modo, o ofício de um economista-escritor está em nos transportar de um universo do faz-de-conta ao que fez-a-conta.


O fato é que o Mundo sempre necessitou do virtual. Os homens necessitam de inventar, porque o natural não lhes parece suficiente. Sem fantasia nada lhes parece existir. Relembrando Nietzche: ‘A ilusão é a essência em que o homem se criou’. Os homens em sua viagem à ficção escapam das cruezas da vida e se possibilitam aos sonhos. Pela ficção somos recompensados por tudo que a Natureza nos limita. Os desencontros, o envelhecimento, o tempo que passa, a morte perdem seu valor absoluto no mundo da ficção.


Portanto, sendo a ficção uma peculiaridade tão íntima como a alimentação, não poderia ser apenas um campo da literatura. Ela iria penetrar em todos os campos humanos, inclusive a economia. Ao lado de uma economia real baseada no trabalho e na produção deveria existir uma economia virtual. A sua proibição seria o mesmo que pedir a um autor para construir sua narração sem passar por elipses.


— A Economia deve seguir os desígnios da literatura ou da justiça social?


Em suas viagens pelos subterrâneos da realidade a Economia encontra uma forma para partilhar esse caminho que a luz do natural não consegue penetrar. Essa forma chega para abrir a virtualidade, construir um novo espaço para a riqueza. Essa é a função da economia financeira. Entretanto, não é uma entidade lateral, assim como a literatura não é uma fantasia consoladora. A sua missão está em promover um novo tipo de empreendedorismo. Aquele que igual a um escritor propõe criar uma história virtual capaz de atrair investimentos reais.


O escritor argentino Júlio Cortázar defendia a idéia de que a literatura é uma operação fantástica que nos leva a ‘deslizar até um outro lado’. Ao mesmo modo, a irmã caçula das áreas de conhecimento preserva o sangue da família e nos leva a experimentar coisas que desconhecíamos. A perceber uma economia financeira fundada sobre a virtualidade.


A virtualidade provoca um novo espírito capitalista. Fazer progresso a partir da natureza virtual do capital. A ação do virtual sobre o real não é um assunto isolado de literatura. Não faltam empresários tentando levantar sua companhia numa mistura entre colocar seu capital num fundo de hedge e levantar cedo para ir trabalhar. O novo caminho dos seguidores do lucro está em relacionar virtual-real através da economia financeira.


Entretanto, diversamente de Galileu e o método científico, a relação virtual-real da economia não guarda princípios maiores. O seu único propósito é o lucro. O resultado é levar nações a uma divida maior do que seu PIB. O Brasil gasta 44% de seu PIB no pagamento de juros.


— Qual literatura irá frear essa virtualidade da economia?

Por Melk

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